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Artigo 05

Evangelizar Para Formar

Marcus De Mario*

Quando o serviço de evangelização espírita infantil teve início nos Centros Espíritas, se caracterizava como aula de moral cristã, bem ao modo católico da catequese. Com o tempo e a influência de diversos pensadores e educadores espíritas, currículos foram organizados. ciclos foram implantados e os cursos de capacitação se multiplicaram. Hoje temos várias propostas pedagógicas de evangelização espírita infantil, mas o modelo tradicional de aulas formatadas de acordo com um currículo padrão organizado não pelo Centro Espírita, prevalece. Nesse modelo não se leva em conta o perfil dos educandos, nem de suas famílias, assim como os evangelizado-res tendem a repetir as aulas ano após ano, sem o uso da criatividade.
Educar não é simplesmente transmitir conteúdos e fazer com que os educandos os deco-rem. Eles devem assimilar o conteúdo, pensá-lo e saber aplicá-lo na vida. Para isso devem ter sua capacidade mental e seu crescimento físico respeitados. Não se pode ensinar sobre Deus para crianças até sete anos com uma aula teórica, sem concretizar os conceitos. Também não adianta cantar músicas e mais músicas se as letras não são trabalhadas, se as músicas não estão adequa-das para aquele grupo de educandos.
Muitos ex-frequentadores da evangelização espírita infantil não se tornam espíritas nem se fixam no Centro Espírita. Por quê? É fácil responder: porque apenas passaram pela evangeli-zação, não foram trabalhados para terem sua consciência formada, despertada para os verdadei-ros valores da vida.
Os dirigentes espíritas, assim como os evangelizadores, precisam ler e estudar mais sobre pedagogia e psicologia, principalmente a literatura desenvolvida pelos próprios espíritas como J. Herculano Pires, Dora Incontri, Adalgiza Balieiro, Lydiênio B. de Menezes, Ney Lobo, Rita Fo-elker e outros, que descortinam o pensamento espírita sobre educação e trabalham propostas pe-dagógicas que levam em consideração o espírito imortal que todos somos e a influência do pro-cesso reencarnatório nesse mesmo espírito.
O Centro Espírita necessita dinamizar o processo de evangelização infantil e fugir ao ve-lho modelo de copiar o que se faz nas escolas ou em outras denominações religiosas. A evangeli-zação espírita infantil não é sinônimo de catequese espírita e o Evangelho, por ser ensino vivo, exige vida e não letras mortas em folhas de papel e discursos que não brotam do coração.
Evangelizar é semear o Evangelho nas mentes e corações dos espíritos que reiniciam a jornada terrena, para que eles mesmos possam construir um mundo mergulhado no bem.

*Marcus De Mario é educador e escritor. É diretor do Instituto Brasileiro de Educação Moral e colaborador do Centro Espírita Humilddae e Amor, na cidade do Rio de Janeiro.