
Marcus De Mario*
Quando o serviço de evangelização espírita infantil
teve início nos Centros Espíritas, se caracterizava como aula
de moral cristã, bem ao modo católico da catequese. Com o tempo
e a influência de diversos pensadores e educadores espíritas, currículos
foram organizados. ciclos foram implantados e os cursos de capacitação
se multiplicaram. Hoje temos várias propostas pedagógicas de evangelização
espírita infantil, mas o modelo tradicional de aulas formatadas de acordo
com um currículo padrão organizado não pelo Centro Espírita,
prevalece. Nesse modelo não se leva em conta o perfil dos educandos,
nem de suas famílias, assim como os evangelizado-res tendem a repetir
as aulas ano após ano, sem o uso da criatividade.
Educar não é simplesmente transmitir conteúdos e fazer
com que os educandos os deco-rem. Eles devem assimilar o conteúdo, pensá-lo
e saber aplicá-lo na vida. Para isso devem ter sua capacidade mental
e seu crescimento físico respeitados. Não se pode ensinar sobre
Deus para crianças até sete anos com uma aula teórica,
sem concretizar os conceitos. Também não adianta cantar músicas
e mais músicas se as letras não são trabalhadas, se as
músicas não estão adequa-das para aquele grupo de educandos.
Muitos ex-frequentadores da evangelização espírita infantil
não se tornam espíritas nem se fixam no Centro Espírita.
Por quê? É fácil responder: porque apenas passaram pela
evangeli-zação, não foram trabalhados para terem sua consciência
formada, despertada para os verdadei-ros valores da vida.
Os dirigentes espíritas, assim como os evangelizadores, precisam ler
e estudar mais sobre pedagogia e psicologia, principalmente a literatura desenvolvida
pelos próprios espíritas como J. Herculano Pires, Dora Incontri,
Adalgiza Balieiro, Lydiênio B. de Menezes, Ney Lobo, Rita Fo-elker e outros,
que descortinam o pensamento espírita sobre educação e
trabalham propostas pe-dagógicas que levam em consideração
o espírito imortal que todos somos e a influência do pro-cesso
reencarnatório nesse mesmo espírito.
O Centro Espírita necessita dinamizar o processo de evangelização
infantil e fugir ao ve-lho modelo de copiar o que se faz nas escolas ou em outras
denominações religiosas. A evangeli-zação espírita
infantil não é sinônimo de catequese espírita e o
Evangelho, por ser ensino vivo, exige vida e não letras mortas em folhas
de papel e discursos que não brotam do coração.
Evangelizar é semear o Evangelho nas mentes e corações
dos espíritos que reiniciam a jornada terrena, para que eles mesmos possam
construir um mundo mergulhado no bem.
*Marcus De Mario é educador e escritor. É diretor do Instituto Brasileiro de Educação Moral e colaborador do Centro Espírita Humilddae e Amor, na cidade do Rio de Janeiro.