
Donizete Pinheiro*
É coisa antiga nos centros espíritas os cadernos ou listas onde se lançam os nomes de pessoas para vibrações ou preces.
Num centro onde participávamos, a prática se repetia. Eram listas, que a cada dia se avolumavam, com nomes e mais nomes. As listas eram levadas às reuniões mediúnicas, mas não eram lidas, dado o elevado número de pedidos.
Parou-se, então, para pensar a respeito. Até que ponto realmente eram eficazes? Precisariam os espíritos dessas anotações para ajudar os solicitantes?
Concluímos:
1) As listas, para alguns, funcionavam como um desaguar de suas ansiedades, pois semanalmente ali estavam repetindo seus nomes, de familiares ou amigos próximos.
2) O hábito de lançar os pedidos em listas pode dar a falsa idéia de que as preces dos trabalhadores do centro espírita são mais “fortes”, quando na realidade a súplica sincera de qualquer pessoa sempre é ouvida por Deus, porquanto intelectual e emocionalmente envolvida na problemática.
3) De nada adiantam as listas, se os trabalhadores da casa desconhecem as pessoas e suas necessidades, não podendo a elas se conectar mentalmente, para serem “pontes” com a Espiritualidade.
4) E, com certeza, sendo os Espíritos mentores mais organizados e evoluídos que nós, não precisam que anotemos nossos pedidos em papéis para terem conhecimento das nossas aflições e necessidades: simplesmente registram os nossos pensamentos.
Por conta disso, as listas foram deixadas de lado.
Os atendentes fraternos foram orientados a informar aos assistidos sobre o valor da prece pessoal e da necessidade de fortalecimento da fé em Deus e nos bons espíritos, mesma orientação que se procurou regularmente repetir ao público em geral por ocasião das orações coletivas.
Os casos mais particulares foram repassados aos dirigentes de reuniões mediúnicas ou de vibração, para doações de energia e eventual atendimento mediúnico de espíritos vinculados.
E, cada trabalhador que recebesse a solicitação de ajuda espiritual ou oração, ficava com o compromisso pessoal de orar pela pessoa necessitada.
Informação do espírito Manoel Philomeno de Miranda, em seu recente livro “Transtornos psiquiátricos e obsessivos” (capítulo19, psicografia de Divaldo P. Franco), reforça a convicção a que chegamos:
“A movimentação, portanto, naquele núcleo, onde nos encontrávamos, era expressiva e incessante. As reuniões especiais para desencarnados multiplicavam-se, ao lado de socorros variados, não somente para esses, como também para os deambulantes da caminhada física. Um dos setores encarregava-se de registrar os apelos mentais de alguns dos freqüentadores, assim como de outros que recebiam informações dos benefícios ali distribuídos, de maneira a serem atendidos, na medida do possível. Treinando sempre novos cooperadores desencarnados, à medida que chegavam os pedidos, eram destacados voluntários para visitarem o apelante, passando, a partir desse momento, a auxiliá-lo, inspirando-o, conforme a gênese da sua necessidade.”
Portanto, cada pessoa que chega na casa espírita suplicando ajuda sincera é de pronto atendida pela equipe espiritual, que já inicia o atendimento de suas necessidades, antes mesmo que nós, os encarnados, possamos lhe dar a nossa colaboração.
Façamos, pois, a nossa parte, porque Deus, por seus emissários, já está fazendo a Dele.
*Donizete Pinheiro é magistrado, juiz da infância e juventude na cidade de Marilia, SP; coordena o jornal Ação Espírita e é autor de vários livros espíritas.