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Artigo 25

OS PAIS E A JUVENTUDE ESPÍRITA

Wellington Balbo*

A juventude é uma das mais interessantes fases da existência humana. Na juventude lidamos com medos, incertezas e dúvidas envolvendo relacionamento afetivo e profissão, auto afirmação, busca pela aceitação, conflitos íntimos e uma infinidade de situações.

Nas demais fases da existência também experimentamos essas situações, é verdade, todavia, na juventude, talvez pela vivacidade ou efervescência dos hormônios tudo toma proporção muito maior e, as vezes, até assustadora. Tanto é que inúmeros jovens ficam à margem do caminho e entregam-se aos vícios de todos os matizes porque não souberam lidar com os desafios que se apresentam. Também há aqueles e aquelas que sucumbem às paixões avassaladoras e precipitam-se pelos caminhos do sexo antes do amor, as garotas acabam por engravidar e muitas vezes os garotos acabam por "sumir" às responsabilidades. Nascem assim famílias incompletas em que crianças educam crianças. O resultado na maioria das vezes compromete a educação do conjunto porque as garotas são mães despreparadas e têm de relegar a própria educação a segundo plano para cuidar do filho que chega.

Mas há também a questão que envolve as drogas de todos, incluindo nesse rol o álcool que, lamentavelmente, conta com a complacência dos pais e da sociedade. As primeiras experiências dos jovens com bebidas alcoólicas se dão geralmente na presença dos pais que muitas vezes estimulam o adolescente a experimentar a famosa "cervejinha". O jovem adentra o mundo das drogas, não raro, pela larga porta da curiosidade, muitas vezes promovida pela falta de diálogo com os pais ou ainda para ser aceito na turma de "amigos".

Daí a importância da família na formação de valores do Ser. A base familiar é fundamental para ajudar o jovem a superar seus dilemas íntimos sem grandes atropelos.

Nesse quesito o conhecimento espírita ganha significativo destaque porquanto oferece bases sólidas para um comportamento digno e regrado.

Kardec fez questão de pautar o Espiritismo pela ótica da educação sistêmica do Ser; uma educação que visa além das conquistas intelectuais desenvolver o senso moral construindo jóias como a fraternidade, solidariedade, compreensão e altruísmo no coração humano; ou seja, uma educação que chacoalha o espírito em busca de seu auto descobrimento.

No entanto, forçoso admitir que Kardec e a Espiritualidade ofereceram a teoria. A questão prática da aplicação dos princípios espíritas na educação dos jovens compete aos pais e educadores ministrar. Se os princípios espíritas não forem aplicados, infelizmente o Espiritismo torna-se apenas páginas bem escritas, simplesmente páginas bem escritas. Não era este o objetivo do codificador, sua intenção foi mostrar que o Espiritismo deve ser aplicado nas relações humanas, principalmente nas que estão sacramentadas pelos laços de família, propiciando aos pais guiar os filhos pelas veredas seguras do ideal cristão, facilitando caminhos e apontando diretrizes aos jovens em suas mais complexas dúvidas existenciais.

Portanto, cabe aos pais adaptar a linguagem espírita à realidade do jovem, deixando o conhecimento acessível e agradável para que mais fácil seja sua assimilação, para isso não é necessário grandes prodígios, apenas criatividade e estudo das obras básicas de Allan Kardec.

*Wellington Balbo é de Bauru, SP, e trabalha no Centro Espírita Joana D'Arc, sendo colaborador da mídia espírita escrita, tendo publicado vários livros.