
Gerson Simões Monteiro*
Contou-me que, quando seu genitor começou a tomar uns goles e sua mãe passou a chamar-lhe a atenção, respondia: “Eu só bebo socialmente”, ou então: “Isto faz muito bem à saúde”. Quando esse meu amigo não aceitava a bebida oferecida pelo pai, na hora do almoço sua mãe chamava a atenção de que era um crime ele beber na frente do filho e tentar viciá-lo. Diante disso, ele debochava e, para humilhar o próprio filho, dizia-lhe que não era homem.
Tempos depois, seu pai veio a morrer de cirrose hepática, todo inchado de tanto beber, deixando a família na pobreza. Mas o nosso amigo sobreviveu a toda essa desgraça causada pela droga do álcool em sua família, com muita fé em Deus. Concluiu o curso de contador e venceu profissionalmente, vindo a constituir uma família sólida e bastante estruturada.
Como se sabe, o alcoolismo inicia-se pelo hábito inocente de um gole, de uma latinha, chegando à dependência orgânica e psíquica. O alcoólico é, de fato, um escravo da garrafa. Agora, para o sucesso do tratamento, é fundamental o próprio viciado reconhecer que é um doente e que, como tal, deve ter humildade para aceitar ajuda. O papel da família também é importante para a sua cura, pois é fundamental a conscientização de que o dependente do álcool é um doente e que precisa de amor, afeto, compreensão e, sobretudo, apoio.
Os grupos dos AA (Alcoólicos Anônimos) realizam gratuitamente um excelente trabalho de psicoterapia de grupo em favor dos alcoólicos. Se você precisar da ajuda dos Alcoólicos Anônimos, ligue para a Central de Serviços – tel.: (21) 2253-3377; ou, se você tem um familiar precisando desse auxilio, entre em contato com o AL-ANON – tel.: (21) 2220-5065.
*Gerson Simões Monteiro é Diretor da Rádio Rio de Janeiro e autor de diversos livros.