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Crítica Literária

Os Fundamentos Históricos da Pedagogia Espírita

Autor: Pinheiro Machado
Editora: Edições Léon Denis
Número de Páginas: 191
Lançamento: abril de 2006

Análise de Marcus De Mario*

O autor, licenciado em História pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e pós-graduado pela Universidade Cândido Mendes, informa que o livro teve como base o texto de sua monografia do curso de pós-graduação, intitulada "A Educação na Sociedade Industrial: de Comenius a Rivail", entregue em 2001. Para a edição do livro sob nossa análise, o autor refez parte do texto e ampliou o enfoque genuinamente espírita.

É uma obra muito bem fundamentada e ao mesmo tempo escrita com leveza e objetividade, passando ao leitor um panorama do contexto histórico e da pedagogia moderna muito útil, mesmo para o leitor que não está diretamente ligado à educação.

Após a contextualização histórica da educação, o autor dedica um capítulo para desdobrar a vida, a obra e o pensamento de três educadores muito importantes, precursores da pedagogia moderna: Comenius, Rousseau e Pestalozzi, este último mestre de Allan Kardec, fazendo uma ponte entre esses educadores e o pensamento educacional espírita.

A segunda parte da obra, ou seja, os capítulos 3 e 4, é dedicada à pedagogia espírita, primeiro com Rivail/Kardec, e depois com dedicação ao Brasil, onde destaca os educadores Anália Franco, Eurípedes Barsanulfo e Tomás Novelino. Muito interessante, e importante, o estudo feito dos pontos principais da obra "Plano Proposto para a Melhoria da Educação Pública", escrito por Rivail em 1828, aos 24 anos de idade, onde o autor encontra tanto a influência dos três grande educadores europeus citados acima, e principalmente a influência pestalozziana, como também já vislumbra a base do pensamento posterior de Kardec, ampliado pelos ensinos dos espíritos.

Como já dissemos, obra muito útil, pois coloca a educação como ação primordial do homem para sua renovação e da sociedade, esclarecendo sem rodeios o que é educação e sua prática, tanto em termos escolares como familiais.

Sentimos apenas que o autor não tenha se aprofundado devidamente na questão da educação moral, que aborda, pois ela está presente no pensamento de Rivail, de Kardec e dos Espíritos que coordenaram a codificação espírita, mas não amplia, antes, até minimiza, talvez involuntariamente, ao atrelar o pensamento de Rivail/Kardec a uma defesa dos interesses do proletariado, e não mais além disso. Será o fato histórico, bem desenvolvido, uma espécie de camisa de força ao pensamento do codificador e, portanto, à filosfia espírita? Não cremos nisso, e não nos parece, na leitura, que o autor também assim creia, mas o texto não favorece interpretação mais ampla.

É oportuno lançamento e parabenizamos o autor e a editora, pois é de obras como "Os Fundamentos Históricos da Pedagogia Espírita" que precisamos para fazer entender que o Espiritismo é doutrina de educação do homem.

*Marcus De Mario é educador e escritor. É diretor do Instituto Brasileiro de Educação Moral e colaborador do Centro Espírita Humilddae e Amor, na cidade do Rio de Janeiro.