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Crítica Literária

Espiritualidade e Educação

Autor: Regis de Morais
Médium: (não mediúnico)
Editora: Ceak
Número de Páginas: 224
Lançamento: 2002

Análise de Marcus De Mario*

Por que os bons livros são, muitas vezes, pouco conhecidos? É um fenômeno que não pertence exclusivamente à literatura espírita, mas que está presente também em nosso meio. É justamente o caso do livro Espiritualidade e Educação, que merece a atenção, leitura e estudo de todos os espíritas, e não somente das pessoas que estão mais diretamente na área da educação.

O autor, sem alarde, ele que é muito respeitado na área acadêmica e literária, escreve um tratado sobre a necessidade de mais espiritualidade na educação, contudo, pelo bem da verdade, não é um tratado erudito ou técnico, é mais um passeio pela história da educação entre os séculos 19 e 20, contrapondo ao pensamento materialista dominante, o pensamento espiritualista encontrado em diversos pensadores e educadores da humanidade.

Não é, igualmente, uma mera discussão filosófica, pois os capítulos desdobram ampla visão sobre os problemas atuais do homem, com o texto indicando possibilidades de renovação, de transformação para um milênio consagrado à educação do espírito.

É um livro-convite à reflexão e nova tomada de posição por parte dos educadores, num terreno onde muito se fala da necessidade de qualidade e capacitação, mas onde pouco se cogita do homem-alma, base de sustentação desta obra, onde ressaltam a importância da transcendência, dos valores, do humanismo, da consciência do educador, da cosntrução da paz pelo ato educativo, do erigir da fé sem dogmatismo.

No final, um novo convite: uma visita à tese da reencarnação e como ficaria a educação com sua implantação.

Como lemos na 4ª capa, esta obra apresenta "um caminho para se combater o materialismo que exacerbou no século 20, invadindo todos os ramos do conhecimento humano e legando ao homem um vazio difícil de ser preenchido apenas com palavras".

Vale a pena lermos, da introdução, as últimas palavras do autor:

"Estamos certos de que toda palavra, se não for tocada pela força divina, resultará fraca. Assim, nossa maior esperança é a de que nossas precárias palavras tenham recebido um pouco do divino sopro, para que logremos chegar aos corações e mentes sensíveis que, neste delicado momento, dedicam-se à mais elevada das missões humanas: a de educar".

No capítulo final, palavras de alerta e ao mesmo tempo de esperança, com imensa carga espiritual, são dedicadas pelo autor a todos os seus leitores, e que merecem reprodução:

"(...)quando a educação é algo que flui do amor à Deus e ao semelhante e é exercida como radical compromiso da vida, nada consegue ser mais fascinante. Nosso mundo tão sofrido, nos descaminhos do consumismo materialista, já sabe que os tecnicismos e cientificismos pedagógicos são miragens; este mundo espera por mentes comungantes com o divino e que vêem no ser humano a imagem e a semelhança de Deus; mentes capazes, portanto, de verem técnicas e ciências como meios auxiliares submissos a um projeto maior de vida humana. (...)Ou temos fé e coragem para conquistar uma nova espiritualidade na educação, ou os tempos vindouros exibirão uma triste barbárie na qual nem a Vida, nem o Senhor da Vida poderão ser amados e respeitados. Nosso mundo perecerá em mãos só ávidas de lucros irresponsáveis, não haverá paz para nossos filhos e netos e nós sucumbiremos no vórtice de nossa própria loucura".

Recomendamos, com entusiasmo, a leitura desse livro.

*Marcus De Mario é educador e escritor. É diretor do Instituto Brasileiro de Educação Moral e colaborador do Centro Espírita Humilddae e Amor, na cidade do Rio de Janeiro.