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Crítica Literária

A Transição Está Pedindo Mudanças

Autor: Saara Nousiainen e Simone Ivo Souza
Médium: (não mediúnico)
Editora: Logos/Caminhos de Harmonia
Número de Páginas: 154
Lançamento:

Análise de Edmar Tenório Barros.

Estamos apresentando a pesquisa realizada no livro A Transição Está Pedindo Mudanças, tendo como autoras Saara Nousiainen e Simone Ivo Souza. Este trabalho consistiu em:

a) Coleta de material bibliográfico: livros da codificação em conjunto com revistas espíritas de Kardec, obras subsidiárias, revistas, internet, etc.
b) Uso da metodologia de Allan Kardec com especial atenção a razão e no controle universal do ensino dos espíritos.
c) Como subsídio o livro Raios-X do Livro Espírita, de Eurípedes Kühl, primeira edição, Editora Aliança.

I - A mensagem base do livro A Transição Está Pedindo Mudanças está contido no livro Seara Bendita atribuída ao Espírito Cícero Pereira que foi psicografada pelos Médiuns Maria José C. Soares de Oliveira e Wanderley Soares de Oliveira, onde o Espírito comunicante afirma que Bezerra de Menezes lançou as diretrizes para o terceiro período do Espiritismo a se iniciar no século XXI.

Consideramos a mensagem apócrifa pelos motivos abaixo:

a)Não foi localizada nenhuma mensagem com este conteúdo através de outros médiuns atribuída ao verdadeiro Espírito Bezerra de Menezes. O livro Seara Bendita foi recebido apenas por uma dupla de médiuns, não atendendo ao Princípio da Universalidade dos Ensinos dos Espíritos, ou seja, através de vários médiuns e locais diferentes.
b)A linguagem da mensagem atribuída a Bezerra, difere do estilo suave e paternal verificado nos Médiuns Divaldo Franco e Chico Xavier.
c)A Autora da primeira parte do livro A transição está pedindo mudanças cita: “Segundo relato feito pelo espírito Cícero Pereira, no livro Seara Bendita, psicografado pelo médium Wanderley Soares de Oliveira (MG), ao término do Congresso Espírita Brasileiro de 1999, do qual participaram mais de cinco mil espíritos desencarnados e encarnados,...”. Porém buscando Seara Bendita não consta essa afirmação e sim na mensagem atribuída ao Espírito Cícero Pereira: “Na primeira noite após o memorável Congresso Espírita Brasileiro” o que corresponde ao dia 04 de outubro e não ao término do evento, embora no livro Seara Bendita conste como dia 05 de outubro de 1999.
d)Encontramos na Revista da FEB Reformador relativa ao mês de dezembro de 1999, um resumo bastante objetivo do Congresso, onde consta a data de instalação na noite de 1º de outubro e que os trabalhos tiveram início na manhã do dia 02 e foram até o dia 03 de outubro. Talvez a “reunião” citada pelo Espírito Cícero foi outra realizada no mundo espiritual com a participação de espíritos inimigos do Espiritismo e não como ele citou no livro Seara Bendita conforme transcrição: “Seria impossível relacionar todos, mas, com intuitos que atendem as nossas ponderações do momento, destacamos a presença de Robert Owen (o filho), César Lombroso, Humberto Mariotti, Milton O’Relley, Anita Garibaldi, Helena Antipoff, Edgard Armond, Torteroli, Jean Baptiste Roustaing, Benedita Fernandes, Deolindo Amorim, Herculano Pires,...”.
e)No mesmo Reformador de dezembro de 1999, encontramos uma mensagem verdadeira de Bezerra de Menezes sob o título de “união dos espíritos” ao término do citado Congresso em 03 de Outubro de 1999, através de Divaldo Franco e nada tem com a mensagem lançada por Cícero Pereira.
f)Outra contradição na mensagem do suposto “Bezerra” é que divide em três períodos do Espiritismo, que na realidade já foi feito por Kardec na conclusão do Livro dos Espíritos em 1857 e dividido em 06 períodos na Revista Espírita do codificador no mês de dezembro de 1863, conforme quadro abaixo.

ALLAN KARDEC (LIVRO DOS ESPÍRITOS – CONCLUSÃO 1857)
1º Período: curiosidade-provocada pela estranheza dos fenômenos; 2º Período: raciocínio e da filosofia; 3º Período: da aplicação e das conseqüências.

REVISTA ESPÍRITA 1863 (KARDEC)
1º Período: curiosidade - época das mesas girantes; 2º Período: filosófico - Livro dos Espíritos 1857; 3º Período: da luta - iniciou-se com auto de fé de Barcelona em 09/10/1861. 4º Período: religioso – floresceu no Brasil; 5º Período: intermediário –**momento atual. 6º Período: renovação social.

SUPOSTO BEZERRA (LIVRO SEARA BENDITA) 1
º Período: consagração das origens e bases - primeiros setenta anos *1857 a 1927; 2º Período: tempo da proliferação - segundos setenta anos *1928 a 1997; 3º e último período: das atitudes, pretende-se a maioridade das idéias espíritas - outros setenta anos*1998 a 2067.

* Estas datas não constam no livro Seara Bendita, os cálculos são nossos.
**Na Revista Presença Espírita de Novembro/Dezembro de 2006, conforme transcrição: “Após o encontro, Divaldo Franco comentou que o I Encontro Espírita em Lily Dale faz parte do quinto período da divulgação espírita ao mundo, em que, como previsto por Kardec, o Espiritismo secunda a renovação social.”.

g) Consideramos estranho Bezerra de Menezes não conhecer os períodos de Allan Kardec. Pois segundo a mensagem do livro Seara Bendita: “As diretrizes do Espírito Verdade não pactuam com as conveniências, embora não incentive o desamor.”.
h) O tema central do Congresso Brasileiro citado foi Espiritismo no Brasil: Ontem, Hoje e Amanhã, sendo o mesmo desdobrado em temário oficial e temas gerais. Incluindo a comemoração do cinqüentenário do Pacto Áureo – que foi um acordo de unificação do Movimento Espírita em 05 de outubro de 1949.
i) Analisando o material da mensagem apócrifa levaria mais uma anarquia do que união, conforme uma parte do texto transcrito do livro Seara Bendita: “a diversidade é uma realidade irremovível da Seara e seria utopia e inexperiência tratá-la como “joio”. Imprescindível propalar a idéia do ecumenismo afetivo entre os seareiros, para que a cultura da alteridade seja disseminada e praticada no respeito incondicional a todos os segmentos. A atitude de alteridade será o termômetro do progresso das idéias espíritas no movimento, será o “trigo’’ vicejante e plenificado na ética da fraternidade vivida. As instituições embebidas desse espírito promoverão o diálogo franco e transparente e construirão, através das relações, as transformações. O desafio está lançado.”
j) O suposto Bezerra infiltra conceitos novos (item acima) no movimento espírita como: atitude de alteridade, ecumenismo afetivo e em outras partes da mensagem sugere transformar a casa espírita em escola capacitadora de virtudes e formação do homem de bem, segundo o Espírito: “independentemente de fazer ou não com que seus transeuntes se tornem espíritas e assumam designação religiosa formal.”.
l) Notamos o plantio do joio junto ao trigo, prejudicando a Seara de Jesus. Neste momento de transição para regeneração onde o Cristo utiliza o Espiritismo como instrumento de progresso, as trevas lutam para destruir o nosso movimento, levando a uma anarquia e falta de unidade. Alertamos que o Evangelho foi adulterado como nos mostra os fatos e o Espiritismo veio como Consolador para explicar e restabelecer a simplicidade do Cristianismo.
m) Allan Kardec cita na Revista Espírita, de 1859, Ed. FEB, p. 423-427: “Revelam-se por sua própria linguagem; daí a necessidade de não aceitar cegamente tudo quanto vem do mundo oculto, e submetê-lo a um controle severo.” (os negritos são nossos).
n) Outra contradição é Bezerra de Menezes utilizar de outro espírito desencarnado, para fazer uma mensagem de tamanha responsabilidade e repercussão no movimento espírita mundial.

II - Sobre o conteúdo do livro A Transição Está Pedindo Mudanças

a) Relativo à contra capa - encontramos um “resumo”, que já evidencia pelo seu conteúdo propostas que contrariam a razão, universalidade dos ensinos, a própria idéia da pureza doutrinária e unificação conforme transcrição da 2ª edição:
“Este livro é dos que mudam paradigmas.
Suas autoras aprofundam análises e questionamentos sobre vários enfoques vigentes nos meios espíritas e sobre algumas metodologias em uso, propondo mudanças que sinalizam novos rumos ao pensamento espírita e aos relacionamentos, tanto entre trabalhadores quanto instituições, favorecendo união e fraternidade, apesar das divergências.
Também detalham a nova diretriz, a alteridade, apresentada por Bezerra de Menezes como um valor exponencial para o novo período, a sinalizar caminhos para a paz e o progresso do movimento espírita.
Fazem-no apoiadas nas diretrizes estabelecidas por Bezerra para o terceiro período do Espiritismo, iniciado com século XXI, em conferência realizada no mundo espiritual, ao término do Congresso Espírita Brasileiro de 1999, por deliberação do Espírito Verdade.
Essa mensagem de Bezerra é tão importante, tão lúcida e tão perfeitamente inserida no contexto atual, que mesmo que alguns porventura venham a questionar sua autenticidade, e mesmo que ela fosse puramente anímica, só nos restaria bendizer tal animismo, pela força das verdades que apresenta” (grifos são nossos).

Após esta transcrição não precisamos ter dúvidas e com o devido respeito às autoras, não pertence à categoria de livros espíritas e sim a uma proposta que foge as metas do Espiritismo.

b) Sobre a 1ª parte – Autora Saara Nousiainen.
Basicamente sugere aos dirigentes das Casas Espíritas mudanças nas metodologias atuais e enfoques tais como: expiação para reajuste; carma expiatório para carma evolutivo; culpa para responsabilidade; resignação para aceitação; caridade para fraternidade ou atos de amor.

Não concordamos com as mudanças propostas acima porque foge da linha da Codificação Espírita, apenas ressaltamos que a Doutrina Espírita nunca usou o termo carma expiatório, por isso não podemos mudar para carma evolutivo. Essas alterações podem dar margem à adulteração da obra granítica de Kardec, bem realizada com ajuda do Espírito da Verdade.

Inclusive para ilustrar a Autora cita: “Sem a mais remota idéia de tecer críticas aos espíritos que trabalharam na codificação do Espiritismo, devemos lembrar que a maioria deles era procedente da Igreja Católica, por isso em seus enfoques transparecem conceitos que, se podiam ser adequados àquela época, estão carecendo de revisão”.

Com muita habilidade a autora tenta insinuar uma revisão dos Grandes Espíritos que fizeram parte da equipe que auxiliaram o Codificador alegando que a maioria foi católica. Este argumento cai por terra, pois o Espiritismo nos ensina que os espíritos são as pessoas desencarnadas e se os espíritos foram católicos em outras vidas ou na última não invalida o conhecimento. O Prof. Herculano Pires na introdução ao Livro dos Espíritos, que consta na tradução do citado livro 59ª edição, editora Lake, pág. XVIII comenta:

“O método de Kardec transformou-se no método da própria doutrina, e tem na sua simplicidade, a garantia da sua eficiência. Podemos resumi-lo assim: 1º) Escolha de colaboradores mediúnicos insuspeitos, tanto do ponto de vista moral, quanto da pureza das faculdades e da assistência espiritual; 2º) Análise rigorosa das comunicações, do ponto de vista lógico, bem como do seu confronto com as verdades científicas demonstradas, pondo-se de lado tudo aquilo que não possa ser logicamente justificado; 3º) Controle dos Espíritos comunicantes, através da coerência de suas comunicações e do teor de sua linguagem; 4º) Consenso universal, ou seja, concordância de várias comunicações, dadas por médiuns diferentes, ao mesmo tempo e em vários lugares, sobre o mesmo assunto”.

Observamos que a autora é contra a pureza doutrinária, inclui as palavras alteridade, crescimento interior, e indica mudanças urgentes no ESDE, para introduzir em dias intercalados com vivência espírita.

c) Sobre a 2ª parte – Autora Simone Ivo Souza.
Faz comentários superficiais sobre alteridade em diversos ângulos: nas relações sociais, no convívio familiar, etc. e sobre fórum de debates.

III - Enfim o joio foi lançado junto ao trigo.
Compete aos trabalhadores da Seara Espírita estar em alerta para evitar a adulteração das obras codificadas por Allan Kardec. Neste momento e sempre precisamos estar em oração e vigilância, colaborando para o nosso planeta atingir o patamar de regeneração.