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Crítica Literária

JK - Caminhos do Brasil

Autor: Juscelino Kubitschek(Espírito)
Médium: Woyne Figner Sacchetin
Editora: Lachâtre
Número de Páginas: 480
Lançamento:

Análise de Edmar Barros*

Após pesquisar sobre o livro lançado pelo psiquiatra e médium Dr. Woyne Figner, de São José do Rio Preto, SP, verificaremos os pontos abaixo com o objetivo de confirmar se o mesmo pode ser classificado como uma Obra Espírita. Vale ressaltar que temos o máximo respeito ao médium. As observações são apenas com relação à inspiração do Espírito que se intitulou de JK.

Feito em forma de romance muito agradável, de maneira cativante ao leitor, tendo como tema principal a mudança da Capital Federal até a construção de Brasília, observando suas conseqüências no futuro, sendo escolhido para ser o personagem principal um nordestino chamado Severino Paraíba e outros personagens, como meio de mostrar que o nordestino é forte e bom. Tendo como cenário uma grande viagem em um caminhão velho até chegar a Brasília, passando por várias cidades e estados.

Salientamos, no entanto, que aproximadamente 95% deste livro coloca o personagem "Severino Paraíba" e outros em grande destaque, fugindo bastante da expectativa sobre dados importantes da grande tarefa de JK e sua biografia, que encontramos em diversas fontes.

1)Estudo dos escritos mediúnicos

1.1) Do livro JK – Caminhos do Brasil, trechos transcritos: "Sim, meu patrício querido, sou eu mesmo, o Nonô Pé-de-valsa, engraxate na Diamantina saudosa, o filho de dona Júlia". "Severino, o candango, personagem que conheci e abracei muitas vezes no então precário aeroporto de Brasília, representa a gloriosa multidão de heróis que respeito e homenageio por terem construído a pátria. Ficarei grato ao verdadeiro Arquiteto do Universo se apenas um coração brasileiro acreditar nestas páginas e agradecer ao herói Severino, o candango". Esse Espírito revela uma grande preocupação em provar que é o JK.

1.2) Um diário de JK contido na Revista Veja que tivemos acesso na internet em http://veja.abril.com.br/arquivo_veja/capa_14051997.shtml conforme trecho transcrito :

"3 de maio - Terei de falar na posse da Academia, preciso manter um tom firme que impressione a assistência. Burilei o discurso quanto pude. No bar até 4h da manhã, comemorando a posse. Foi um cordão umbilical que estabeleci com a minha velha província.

"6 de maio - Parece-me que abri o caminho para a Academia Brasileira. Desejo sinceramente atingir esse último ponto na escalada. Preciso procurar o Austregésilo de Athayde.

"21 de maio - Fui à casa do Austregésilo de Athayde. Ele mostrou-se favorável à minha entrada para a Academia, porém fulminou minha candidatura à próxima vaga. Alegou que já entraram três elementos que não pertencem ao literário.

"27 de maio - Recebi o Austregésilo. Pensava que ele viesse moderado, mas não quer mesmo a minha entrada para a Academia, entrou mesmo "de sola".

"8 de junho - Vanda deu um fora, referiu-se à notícia de minha ida ao Hippopotamus de SP. Sarah não gostou.

"10 de junho - Jornal do Brasil agressivo. Porque quero entrar na Academia? Porque fiz discursos. Mas os discursos foram escritos por Josué, Chico Barbosa, Álvaro, que já estão na Academia. Nota grosseira, será coisa do Austregésilo?".

1.3) Comparação com o livro escrito por Juscelino quando encarnado chamado "Por que Construí Brasília", conforme trechos transcritos abaixo:

"Começa o novo Brasil. Como nasceu Brasília? A resposta é simples. Como todas as grandes iniciativas, surgiu quase de um nada. A idéia da interiorização da Capital do País era antiga, remontando à época da Inconfidência Mineira . A partir daí, viera rolando através das diferentes fases da nossa História: o fim da era colonial, os dois reinados e os sessenta e seis anos da República, até 1955. Pregada por alguns idealistas, chegou, mesmo, a se converter em dispositivo constitucional. No entanto, a despeito dessa prolongada hibernação, nunca aparecera alguém suficientemente audaz para dar-lhe vida e convertê-la em realidade. Coube a mim levar a efeito a audaciosa tarefa. Não só promovi a interiorização da Capital, no exíguo período do meu Governo, mas, para que essa mudança se processasse em bases sólidas, construí, em pouco mais de três anos, uma metrópole inteira – moderna, urbanisticamente revolucionária , que é Brasília."

Este texto revela a escrita de JK quando encarnado e que difere bastante do livro JK Caminhos do Brasil.

2) Conclusão

Com base nas nossas pesquisas, onde utilizamos o material que chegou ao nosso conhecimento, e considerando que não podemos exigir identidade dos espíritos e que constitui uma das grandes dificuldades da Doutrina Espírita, pois os desencarnados são apenas pessoas sem o corpo físico e que possuem virtudes e defeitos. Uma vez que o nosso planeta encontra-se na fase de transição a maioria dos espíritos encarnados ou não, ainda possuem vários defeitos, e podendo ter astúcia e a mentira e podem transferir estes defeitos para as mensagens mediúnicas. Precisamos usar a lógica e a razão, pois alguns espíritos podem assinar com nomes de vultos respeitáveis, históricos, santos, etc. e muitas vezes levam os médiuns ao ridículo e transcrevemos um trecho a seguir do Capítulo XXIV do Livro dos Médiuns aonde:

"255. A questão da identidade dos Espíritos é uma das mais controvertidas, mesmo entre os adeptos do Espiritismo. Porque os Espíritos de fato não trazem nenhum documento de identificação e sabe-se com que facilidade alguns deles usam nomes emprestados. Esta é, portanto, depois da obsessão, uma das maiores dificuldades da prática espírita. Mas em muitos casos a questão da identidade absoluta é secundária e desprovida de importância real".

Outro fator a ser considerado é que o livro JK Caminhos do Brasil, foi supostamente inspirado pelo Espírito JK e vamos mostrar este tipo de mediunidade conforme o capítulo XV do Livro dos Médiuns e trecho transcrito:

"182. Todos os que recebem, no seu estado normal ou de êxtase, comunicações mentais estranhas às suas idéias, sem serem, como estas, preconcebidas, podem ser considerados médiuns inspirados. Trata-se de uma variedade intuitiva, com a diferença de que a intervenção de uma potência oculta é bem menos sensível, sendo mais difícil de distinguir no inspirado o pensamento próprio do que foi sugerido. O que caracteriza este último é sobretudo a espontaneidade".

Concluímos que o livro JK Caminhos do Brasil com base na nossa pesquisa é um excelente romance, de agradável leitura, e mostra também alguns traços da biografia de JK. Porém, comparando com os escritos quando encarnado, notamos uma grande diferença no estilo. Podemos concluir que o Espírito que inspirou o livro JK Caminhos do Brasil não é Juscelino Kubistscheck, Ex-Presidente da República do Brasil e esta obra não é Espírita por não preencher os requisitos da mesma.

Por outro lado convidamos aos leitores deste trabalho a conhecer a Doutrina Espírita, pois representa o Consolador prometido por Jesus e constitui uma ciência, filosofia e conseqüências morais. Nesta época de transição para regeneração é uma excelente ferramenta para separar o joio do trigo.

*Edmar Barros é membro da Coordenação de Cultura Espírita do Estado de Alagoas; coordenador de pesquisa espírita da Fraternidade Espírita Deus Conosco (Maceió, AL) e coordenador do Projeto Chico Xavier.