
A VIDA HUMANA COMEÇA NA CONCEPÇÃO
Gerson Simões Monteiro
Certa vez, enderecei uma rogativa a Jesus, através da coluna "Em Nome de Deus", do Jornal Extra (Rio de Janeiro, RJ), pelos esquecidos de nossa sociedade que clamam por Justiça e Dignidade para viverem. Ao final, pedia a intercessão do Divino Amigo em favor de todos esses injustiçados e oprimidos que vivem em nosso país, como também em favor das crianças que estão ainda por nascer, pois existem autoridades e parlamentares que estão querendo assassiná-las, por meio de uma lei que permitiria a prática do aborto. Ou seja, “esquecê-las” pelo resto da vida.
Pois bem, eles querem legitimar a matança e o crime de inocentes crianças, utilizando para isso o artifício de um plebiscito. Só que foi esse mesmo povo que elegeu a Assembléia Constituinte de 1988, autora da atual Constituição Brasileira, cuja cláusula pétrea assegura “a inviolabilidade do direito à vida”, elegendo assim tal direito como princípio absoluto. Frisando bem: direito à vida, e não à morte de quem quer que seja. Cremos que, com esses fundamentos, para legislar-se sobre o aborto será preciso primeiro abortar a Constituição do Brasil, significando efetivamente crime de lesa-pátria.
Do ponto de vista espiritual, o crime do aborto se configura pelo fato de impedir o espírito de passar, na Terra, pelas provas necessárias ao seu progresso espiritual, com vistas à sua evolução rumo à perfeição. Só em caso extremo, para salvar a vida da gestante, admite-se o aborto terapêutico, pelo fato de a mãe, continuando viva, poder engravidar de novo e receber o mesmo espírito que teve sua vida anteriormente interrompida. No caso de estupro, a Lei deve ser aperfeiçoada, sim, mas no sentido de estimular a adoção da criança, quando a mulher violada não se sentir com estrutura psicológica, emocional ou financeira para criá-la.
Por fim, é inadmissível que pequena parcela da população defensora dos princípios materialistas, tente mudar a nossa legislação, contrariando os dispositivos constitucionais vigentes no país. Mas tenho certeza de que, se o povo brasileiro for consultado num plebiscito, dirá logicamente “não” ao crime do aborto, pois esse povo é a favor da vida. Como o povo brasileiro, na sua grande maioria, é Cristão, não permitirá, com ajuda do Cristo e de Deus, que uma lei criminosa venha manchar o solo brasileiro com o sangue de inocentes.
Todas as vezes que se discute o aborto surge uma dúvida: quando começa a vida humana? Ora, se entendemos que o ser humano é o resultado da união da alma com o corpo, é claro que a vida humana começa na concepção, quando se verifica a união desses dois elementos. Esse esclarecimento está na resposta dada pelos Benfeitores Espirituais à pergunta formulada por Allan Kardec sobre o assunto, na questão 344 de O Livro dos Espíritos. Eles afirmaram também que essa união só se completa por ocasião do nascimento da criança.
Na resposta, os Benfeitores esclareceram ainda que, desde o instante da concepção, o espírito designado para habitar o corpo a este se liga por um laço fluídico, que é cada vez mais apertado até o instante em que a criança vê a luz. Esse é o principal motivo pelo qual os Espíritas rejeitam o aborto em qualquer período da gestação, mesmo através da pílula do dia seguinte ou de outros métodos, pois a alma desde sempre já está unida ao embrião.
Diante disso, é possível determinar o ponto onde se pode dizer que, no embrião, há vida humana. É claro que o assunto, estudado apenas sob o ponto de vista biológico, não tem solução, porque o ser humano não é só corpo físico. Ele, antes de tudo, é uma alma que possui um corpo, e é na alma que se localizam as suas faculdades morais e intelectuais.
O segundo motivo pelo qual os Espíritas não admitem o aborto é o fato de que o espírito já existe antes de habitar o corpo e preside a sua formação. A comprovação científica disso foi obtida por um psicólogo, na regressão de memória realizada em um jovem que se tornava agressivo com os pais, considerando-se enjeitado por eles. No transe, o jovem revelou que, quando estava sendo gerado na barriga da mãe, ouvia os pais decidirem por matá-lo.
Justamente quando se dirigia a uma clínica para abortá-lo, sua mãe sofreu um acidente de carro e quebrou o fêmur, ficando assim impedida de realizar o aborto. Ao serem indagados pelo psicólogo sobre a descrição dos fatos pelo filho, no transe, os pais confirmaram a sua veracidade. Esse caso está no capítulo que trata dos abortos espontâneos provocados mentalmente pela mãe, do livro “Gestação, Sublime Intercâmbio”, de autoria do Dr. Ricardo Di Bernardi.